Por Phelype
Gonçalves
Fotos: Phelype Gonçalves
No último dia 11 de junho, no Salão Azul do
Pavilhão Central (P1) da UFRRJ, aconteceu o workshop “Introdução aos Negócios
Sociais”. Realizado pela empresa júnior de Economia da Rural, a Ceres Jr., o evento
trouxe três embaixadores da Choice — maior rede de universitários engajados em
Negócios Sociais do Brasil.
Demétrio Gripp, estudante de Engenharia de
Telecomunicações da Universidade Federal Fluminense (UFF); Hamilton Henrique,
estudante de Engenharia de Produção da Universidade Veiga de Almeida (UVA); e
Antônio Brandão, estudante de Engenharia de Produção da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ) ministraram o workshop e falaram sobre empreendimentos
que geram impacto na sociedade, para melhor, com o foco voltado para as classes
C, D e E.
Logo no início, Pedro Mattosinhos, presidente da
Ceres Jr., deu as boas-vindas aos participantes e, como atividade final da
oficina, propôs a criação de idéias voltadas para o município de Seropédica,
para deixar boas recomendações de mudanças e melhorias para o território.
 |
| Demétrio Gripp (em primeiro plano) observa a atuação do público na oficina |
Os embaixadores, então, iniciaram a palestra e
ilustraram, com diversos exemplos, negócios sociais espalhados pelo mundo. Um
deles é o Grameen Bank, o primeiro banco do mundo especializado em microcrédito
para grupo de pessoas com baixa renda. Idealizado pelo professor bengalês
Muhammad Yunus, tem sua taxa de inadimplência baixíssima — 1,5% ao ano — e foi
vencedor do prêmio Nobel da Paz em 2006.
Segundo um dos palestrantes, Henrique disse não
haver muita valorização das classes baixas da sociedade e o Grameen Bank é um
ótimo exemplo de empreendimento contrário aos modelos convencionais que
existem.
— O mercado entende que a classe C, a D e a E tem
potencial financeiro. E inovações como o de Yunus mudam a vida de pessoas. Além
disso, essas classes movimentam mais de três trilhões de dólares no mundo —
disse.
De
Canvas à juventude
Ao decorrer do evento, foram exibidos diversos
modelos de empreendedorismo que transformam lugares, pessoas e paradigmas
sociais. Outra referência, apresentada no Salão Azul, foi o Business Model
Canvas, uma espécie de ferramenta — em uma página — para abrir, desenvolver ou
esboçar negócios novos ou já existentes, de formas simples. Desenvolvido por
Alexander Osterwalder (doutor em Sistemas de Informações Gerenciais pela Universidade
de Lausanne, na Suíça; empreendedor e autor), o modelo de negócio é uma
estrutura suavizada e eficaz de qualquer projeto de empreendedorismo.
Como fim das atividades, os três embaixadores da Choice
propuseram uma dinâmica ao público para criarem ideias voltadas para as classes
baixas da sociedade, em especial para gerarem renda em Seropédica, embasados
pelo modelo de Osterwalder. Surgiu um jornal grátis feito de papel reciclado e
voltado para o município, além de uma empresa de entrega de remédios e comida
após às 22h em Seropédica, e muitas outras concepções.
Para Leonardo Boy, aluno do 4º período de Relações
Internacionais (RI) da UFRRJ, por ser estudante de um curso de graduação da
área de humanas, resolveu participar do workshop para se integrar ainda mais
com setores como o comércio e a sociedade.
 |
| Brandão explica o tema do workshop |
— Me interessei pela área de negócios sociais por
meu curso ter uma pegada mais humanitária. Já trabalhei na empresa júnior de
RI, a Xport Jr. e, além de querer fazer pós-graduação na área de comércio
exterior, quero trabalhar com a área comercial ou social. Esse evento
contribuiu para fazer com que a gente olhe para as coisas e perceba uma
oportunidade — revelou.
Segundo Antônio Brandão, incentivar o
empreendedorismo no âmbito universitário é muito importante, pois os estudantes
de hoje são os futuros profissionais da sociedade.
— Essa galera tem muito poder. É um momento em que
as cabeças deles estão explodindo de ideias e o nosso pensamento é mostrar pra
esses universitários que mudar a realidade não está longe. É mostrar que dá pra
fazer de outros jeitos fora dos padrões convencionais e que empreender é dar,
realmente, o primeiro passo — conta.
Para os interessados nesses temas, Brandão dá
algumas dicas de sites e locais que podem estimular a criatividade e informar
ao mesmo tempo. Vale lembrar o quanto ler de tudo e se manter sempre alerta aos
acontecimentos no Brasil e fora dele é um dos principais diferenciais.